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Nosso aluno Renato Muller relata a alegria de ter participado da Maratona Pão de Açúcar.
Domingo, 9h05. Parque do Ibirapuera, temperatura de 14oC. Aguardo a chegada de Hugo Cabrera, que abriu a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar. Faltam alguns segundos para começar minha segunda meia maratona, e me divirto com a ideia de que a minha metade da prova é a "menor metade". São apenas 19,5K, embora todas as pessoas "normais" olhem arregalado quando falo da distância.
OK, Hugo chegou. Cansado. Muito suado. Com cara de que doeu correr 22,5K. Mas está vivo. Um cumprimento, um abraço, e é minha vez. Chegou a hora.
9h05 no relógio em frente ao portão 10 do Ibira. Vamos embora. Sem relógio (o meu pifou durante a semana), vamos de cronômetro do celular. Mas que saco, fiz alguma besteira e ele parou de funcionar! Desencana, vamos em frente, presta atenção na pista. O começo é leve, mas tem a subida da 23, em três pedaços: um leve, um mais forte e um de doer. Tempo frio, ótimo para correr.
As placas são uma confusão, mas é melhor deixar para lá: corre, segue o ritmo, esquece as placas, é só completar as quase duas voltas. A primeira subidinha eu nem vi, estava prestando atenção na muvuca do pessoal do revezamento das equipes de 8. Caramba, ano passado eu estava lá. E hoje estou encarando quatro vezes a distância...
Primeira descidazinha e é melhor fazer um pit stop. Muita água de manhã é fogo. Vou perder um minutinho, mas com a bexiga vazia facilita. Pausa, líquido para fora, vambora. Aproveita para botar o cronômetro para funcionar. OK, ligado. De volta à prova, já foram 12 minutos. Beleza, é só acrescentar depois.
Opa, chegou a subida hard. Ué, cadê a outra, que eu nem vi? Nossa, estou bem melhor do que pensava, vai ser boa a coisa. Segue a 23, volta, desce, passa pela galera da troca das equipes de 8. Agora começa a parte que eu não corri no ano passado. Desce, desce, desce, mais água (caramba, tem um posto a cada 2K e olha lá!), passa por baixo do viaduto, retorninho (odeio essas viradas bruscas, é fácil perder o ritmo nisso), volta, sobe de volta, vamos para o Ibirapuera de novo.
Passo pela chegada. "Primeira volta?", grita a mocinha do staff. Faço que sim com a cabeça e aponto um dedo. Ela faz que entendeu. Vamos que vamos, entro no Parque, volta no lago, saio do outro lado, passo pela medição, primeira volta completa. São 9h57. 10,5K em 52 minutos. Estou indo bem, ótimo, me sinto bem, agora falta menos de uma volta. E já sei que o hard será a subida da 23. Depois disso, só festa.
Mas o esforço começa a pesar. Percebi as subidas todas e, no meio da segunda subida, o coração foi para a boca. Faz careta, vai em frente, vamos lá que você consegue! OK, subi, mas está cansativo. O joelho já pediu para parar, mas ele é preguiçoso. A coxa direita também é. Turma mole, faltam só 7K, vambora!
Descida, subida, agora faltam pouco mais de 4K e é só descida. Só fazer chegar. Mas acelera aí, cara! Trotar não! Força nessas pernas, tá chegando, respira direito, vai que está acabando.
Última curva, quinhentos metros para acabar, mais dois copos de água, tá acabando. Estímulo do pessoal da Quark, que me passou e mostra que dá para ir mais rápido. Vou tentar acompanhar. Nossa, muito rápido, mas pé na tábua que está chegando. 400, 300, 200, olha lá o portal da chegada, continua correndo, sinal de "2" para a mocinha do staff, estou chegando, ok, continua, entro no portal da chegada, tapete colorido para mim, corre mais, hora do aviãozinho para delírio da galera, sorriso no rosto... CHEGUEI!!!!
Respira. Olha no relógio: 1h27m50!!! Mais 12 minutos, 1h40, arredondando. Sen-sa-cio-nal! Arrebentei! Uhuuuuuuuuuuuuu!!!!!





