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“O caminho para a São Silvestre”
Mais uma vez, nosso aluno Renato Muller se superou. Participante da São Silvestre 2010 com o tempo bruto de 1h33’48’’, líquido de 1h21’44’’ e classificado no geral em 4373º lugar e na categoria em 725º lugar, ele conta a seguir como foi sua preparação para esta que é uma das mais importantes corridas do calendário sul americano. Veja o relato abaixo:
"Hoje realizei um sonho. Daqueles sonhos de criança, que a gente alimenta por muito tempo e que, em um certo momento, viram utopia, para depois se transformarem em realidade. Lembro de ter cinco anos e ver o José João da Silva ganhando a São Silvestre. Na época, era um evento: a corrida acontecia à noite e os vencedores chegavam junto com os brindes de Ano Novo. A casa virava uma bagunça e a corrida era parte das comemorações, sempre com muita alegria.
Na minha inocência de pirralho, resolvi que um dia ia correr aquela prova. Alguns anos depois, a São Silvestre mudou de percurso, ficando com os 15 km atuais, e passou para o período da tarde. Mas ainda era um bom aquecimento para o Reveillon.
Fui curtir outros esportes. Muita natação, futebol, basquete, vôlei. Namorei, noivei, casei, engordei, tive filhos, terminei a faculdade, trabalhei muito. Mas todo dia 31 de dezembro lá estava eu, às 17h, na frente da TV, vendo o povo correr a São Silvestre. Parte de mim pensava “um dia eu vou”. Outra parte pensava “quando você vai deixar a preguiça de lado?” E outra simplesmente se acomodava: “isso não é para mim não”.
E assim chegou 2009. Um ano marcante por inúmeras razões. Principalmente por ter sido o ano em que me separei, depois de mais de dez anos de casamento. Se você tem um limão, faça dele uma limonada. Com 92 kg e reclamando até para subir escada, estava claro que era hora de tomar uma atitude. Comecei a ir à academia em abril. Em julho, a GS&MD disse que começaria um programa de condicionamento físico. Na hora topei. E foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim.
Nos primeiros meses, foram treinos duas vezes por semana (depois viraram três, quando o “bichinho da corrida” me picou) e duas provas. A Maratona de Revezamento do Pão e a Fila Night Run mostraram que participar das provas é muuuuuito legal. Em dezembro, eu já era outro, quase 15 kg mais magro, muito mais bem disposto e me redescobrindo.
Nessa redescoberta, dia 31 de dezembro lá estava eu em frente à TV mais uma vez.
Daquela vez, vi a corrida com outros olhos, reparando onde estavam os postos de hidratação, ficando de boca aberta com o ritmo de prova dos líderes e pensando “eu estou melhor que aquele barrigudo ali do fundo”. Acabou a prova, fui para a avenida na beira da praia (estava na Praia Grande) e, enquanto fazia um treino de 8K (no que para mim era um ritmo puxado de 5:30 por quilômetro), tomei a decisão: em 2010 estarei na São Silvestre!
Avisei o JP logo no início de janeiro e montamos um programa para chegar voando ao dia 31 de dezembro. De lá para cá, foram quatro Meias Maratonas, a Mizuno 10 Milhas, várias provas de 10K e um total de 15 medalhas penduradas em casa. Por volta de 150 quilômetros de treinos por mês e mais de 200 quilômetros em provas no ano. E duas contusões bestas, porque ninguém é de ferro. Torcer o pé? Vê direito onde pisa...
Mais que isso, porém, toda uma mudança de estilo de vida: alimentação muito mais saudável; mais energia para encarar o dia a dia; uma atitude mais positiva em relação à vida; e estimular quem estava ao redor a também entrar nesse universo. Em dezembro, participei com meus filhos de uma prova de 5K (eu trotando, eles de patinete e patins, mas o que importa é curtir) e eles correram a São Silvestrinha. Estão bem encaminhados e eles ficam perguntando sempre que me veem: “papai, tem medalha nova hoje?”. Não tem preço!
Em novembro, fiz minha inscrição para a São Silvestre. Junto com o JP, fizemos um programa de treinamentos que levei muito a sério. Um exemplo da evolução é que em 2009 tinha corrido 5,3K na Maratona do Pão. Um ano depois, corri 21K e cheguei mais inteiro! Se não tivesse torcido o pé no início de dezembro, teria feito um treinamento 100%. Mas o que fiz foi o suficiente para encarar bem a última corrida do ano.
Terminada a prova, a sensação não é apenas de missão cumprida: é de sonho realizado. Se desde que me conheço por gente quero correr a São Silvestre, hoje consegui concretizar esse sonho. Graças a Deus, que está sempre ao meu lado. Graças a mim, que encarei a sério isso tudo. Graças ao Marcos, que, mesmo sem imaginar, viabilizou um caminho para que eu chegasse lá. Graças à Sonia, que manteve a bola sempre no ar. E graças ao JP, que foi um estímulo constante, teve muita paciência para minhas inúmeras perguntas e me manteve sempre motivado.
A todos, muito obrigado, do fundo do meu coração. E um excelente 2011!"
Renato Müller





